HRM Logística

Frutas: perda de 30% nas rodovias

10/11/2009 · Deixe um comentário

 O transporte de frutas pelas estradas brasileiras gera uma perda média de 30% da carga, constituindo hoje um dos maiores entraves ao desenvolvimento da fruticultura nacional.

A logística e o processo de pós-colheita foram debatidos durante o Frutal Cone Sul, que termina hoje, no Parque Fenavinho, em Bento Gonçalves, a 120 km de Porto Alegre. “Desde a saída do campo, nossos produtos são expostos a estradas esburacadas, acomodação e manuseio inadequados e tempo de espera que prejudica a conservação das frutas”, afirma Rufino Fernando Flores Cantillano, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas.

Cantillano observa que o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas e, embora a exportação nacional seja pequena em comparação com outros países, as condições para comercialização dos produtos enfrentam exigências dentro e fora do território nacional. “Perdemos em competitividade”, enfatiza.

Segundo ele, as tecnologias para colheita, transporte e armazenamento das frutas brasileiras registraram importantes avanços nos últimos anos. No entanto, as melhorias ainda são insuficientes para que o País exporte suas frutas dentro de padrões de qualidade exigidos em âmbito internacional.

O pesquisador, que é pós-doutor em colheita, considera que há falta de entrelaçamento das etapas de produção de frutas, desde a colheita até chegar ao consumidor. Por outro lado, as pesquisas desenvolvidas no Brasil apresentam diagnósticos próximos à realidade e apontam soluções adequadas para diferentes problemáticas. “Ainda assim, a falta de continuidade entre as etapas de produção, colheita, transporte e armazenamento, por exemplo, demonstram que a transferência tecnológica é pouco eficiente, já que essas melhorias não são efetivadas na prática”, completa.

Para Euvaldo Bringel Olinda, presidente do Instituto Frutal e produtor de graviola, o Ceará conta hoje com avançadas técnicas de cultivo que garantem a qualidade das frutas destinadas tanto ao mercado externo quanto interno. “Com a técnica do cultivo protegido, por exemplo, os produtores da Chapada do Apodi e de outras áreas irrigadas no Estado conseguem dosar a quantidade de sol e água.

Aliado ao sistema de proteção das plantas com lonas, essa técnica garante proteção contra pragas, preservando o brix (sabor) da fruta cearense, tão apreciada na Europa”, explica. Orgânicos Mais de 30 milhões de hectares em todo o mundo produzem alimentos orgânicos, gerando uma receita de US$ 40 bilhões na comercialização de produtos.

O Brasil e, principalmente, o Rio Grande do Sul tem papel importante no cenário produtivo mundial. Dos 14 mil produtores brasileiros de orgânicos, oito mil estão em solo gaúcho. A demanda crescente de consumo é uma tendência mundial. Só no País, ela cresce cerca de 40% ao ano. Por isso, é necessário o debate técnico e a construção de estratégias para a ampliação da produção. Segundo o agrônomo Luís Carlos Rupp, do Centro Ecológico de Ipê (CAE-Ipê), um dos palestrantes do Frutal Cone Sul, os principais mercados para frutas e hortaliças no Brasil são os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A produção é destinada às agroindústrias de sucos e conservas. Metade da produção brasileira é consumida internamente, o que diferencia o Brasil dos demais países latino-americanos que dependem majoritariamente da exportação. “Acreditamos que hoje o nosso grande limite é a produção brasileira que não alcança a demanda.

As alternativas para driblar essa limitação são: o desenvolvimento tecnológico, o investimento em pesquisa e a capacitação de profissionais em todos os setores, da produção ao varejo”, diz o agrônomo.

Fonte: Diário do Nordeste 9/11/2009

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